Na última postagem demos uma olhada na história do sal, então agora é a vez da pimenta. Ao contrário do sal, que pode ser encontrado praticamente em qualquer lugar do mundo, a pimenta do reino (também conhecida como pimenta preta ou redonda) é oriunda apenas de Kerala, uma província no sudoeste da Índia. Referências a pimenta aparecem em textos gregos e romanos, sugerindo um comércio antigo entre a Índia e o Ocidente. Já em 1000 aC, comerciantes do sul da Arábia controlavam o comércio de especiarias e rotas de pimenta, desfrutando de um enorme monopólio sobre um negócio cada vez mais rentável. Para proteger suas rotas valiosas, os comerciantes criaram histórias fantásticas sobre as dificuldades sofridas, a fim de obter especiarias. Que inglês, em seu juízo certo, gostaria de viajar ao redor do globo apenas para ser atacado por um dragão guardando um poço de pimenta?

Nos tempos medievais, as rotas comerciais de especiarias ainda era firmemente controlada por comerciantes muçulmanos, enquanto cidades italianas como Veneza e Gênova manteve o monopólio das linhas marítimas, uma vez que a especiaria chegou ao Mediterrâneo. A pimenta era cara para transportar – a Rota da Seda, a rota comercial mais conhecida, se estendia por mais de 6400 km-, mas era uma especiaria tão desejada que os comerciantes italianos podiam estabelecer seus próprios preços. Isso elevou a pimenta a um status de item de luxo na Europa medieval. Ainda hoje, na Holanda se usa o termo “pimenta cara” referindo-se a um item de custo proibitivo.

Eventualmente, o resto da Europa cansou de pagar os altos preços venezianos para as importações de pimenta e decidiu tomar as coisas em suas próprias mãos. Assim começou a era de Cristóvão Colombo, Vasco de Gama, Sir Francis Drake e outros exploradores. De fato, Colombo abasteceu os porões de seus navios com o que ele acreditava ser pimenta e trouxe a especiaria das Índias Ocidentais. Só que quando chegou à Espanha descobriu que seus navios não estavam cheios da preciosa e inestimável pimenta do reino, mas cheio de pimentas comuns e sem valor.

A popularidade da pimenta do reino rapidamente se espalhou conforme mais rotas comerciais foram estabelecidas. Ao mesmo tempo, representava 70% do comércio internacional de especiarias. Como se tornou mais prontamente disponíveis, os preços caíram, e as pessoas comuns foram capazes de apreciá-la. Culinárias regionais começaram a incorporar pimenta em seus pratos ao lado de especiarias e ervas nativas. Isso resultou em misturas de especiarias típicas, como garam masala na Índia, ras el hanout em Marrocos, quatre épices na França e o cajun na América Latina.

No Brasil a principal rota de entrada da pimenta do reino era por Portugal, o que explica o seu nome.

Encontramos a pimenta do reino nessas três variedades:

  • PIMENTA VERDE: É a pimenta colhida antes do amadurecimento. Por perecer mais facilmente é normalmente encontrada em conserva
  • PIMENTA PRETA: é sem dúvida a mais popular. É a pimenta madura, seca e com a sua casca.
  • PIMENTA BRANCA: é igual a pimenta preta porém sem a casca.

Fonte: History

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