A cidade de Carrara é famosa por seu mármore de altíssima qualidade, que inclusive foi a matéria prima utilizada por Michelangelo para esculpir suas esculturas. Mas o que pouca gente sabe é que esse mesmo mármore é a chave para se fazer outra obra de arte: o Lardo di Colonnata.

Na época do Império Romano todo o mármore utilizado nos monumentos romanos era extraído da região. Porém ao contrário do monumentos, a vida dos mineiros não era nada luxuosa. O trabalho era desumano e coloca a vida em risco todos os dias. O perigo de desabamento era constante e o frio da região não facilitava em nada o trabalho. Mas a soma de fatores de região também era perfeita para que fosse criado esse alimento ainda pouco conhecido aqui no Brasil.

A gordura traseira do porco é separada da carne até que fique somente uma placa branca e maciça de gordura. Ela é então coberta com sal, pimenta, alecrim fresco e sálvia e uma mistura inebriante de especiarias aromáticas, como noz-moscada, canela, coentro e cravo. Essas camadas se encaixam perfeitamente em depressões do mármore especialmente esculpidas e deixadas para curar por seis meses. Não há necessidade de conservantes ou refrigeração, pois o próprio frio da região no outono e inverno já é suficiente. A porosidade do mármore e o microclima da região são perfeitos para curar lardo.

O resultado desse processo, que se mantém praticamente inalterado por séculos, é um bloco compacto de banha fragrante, sedoso, cremoso e adocicado com uma crosta perfeita de especiarias. Ele é então cortado em fatias finas e servido. Em contato com o calor, fica transparente e a sua textura amanteigada envolve toda a boca e se torna uma experiência única.

Originalmente o Lardo era considerado comida de pobre, já que era uma importante fonte de energia para os mineiros da região. Hoje em dia é um ingrediente valiosíssimo que por ser produzido artesanalmente dificilmente cruza as fronteiras italianas.

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